“Tem um homem em cima do meu guarda-roupa. A mãe fingiu coragem e disse, É sua imaginação, Angelim, não tenha medo, ao que o menino, serenamente, retrucou, Não estou com medo, mamãe.”
Nesse romance curto e intenso, o prestigiado João Anzanello Carrascoza escreve sobre infância, violência, fé e o horror de saber demais.
Angelim marca a estreia da Barbatana na publicação de ficção brasileira contemporânea.
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“Tem um homem em cima do meu guarda-roupa. A mãe fingiu coragem e disse, É sua imaginação, Angelim, não tenha medo, ao que o menino, serenamente, retrucou, Não estou com medo, mamãe.”
Em Angelim, romance curto e intenso, o prestigiado escritor João Anzanello Carrascoza escreve sobre infância, violência, fé e o horror de saber demais.
Na magistral obra ficcional do escritor, conhecemos a história do menino Angelim, cujo poder da vidência o faz experimentar, sem grandes sobressaltos nele, mas muitos em seu entorno, o horror que é saber o que acontece no passado, no presente e no futuro, em uma época em que o charlatanismo religioso busca ampliar o seu espaço às custas de mártires com boas histórias para revelar.
Angelim marca a estreia da Barbatana na publicação de ficção brasileira contemporânea.
Leia o texto de quarta-capa
Bendito é o fruto que vem do ventre, se livros equivalessem a filhos ou árvores,
como quer o dizer popular, no que não sabemos se concordamos, ou da ficção prodigiosa do escritor João Anzanello Carrascoza; mas não há por que revelarmos
aqui nesta brevidade quem ou o que é Angelim, nem o que pode haver de dor na
história de um menino que, do presente, consegue se conectar ao futuro e ao
passado de qualquer um que lhe perpassa.
Leia o texto de orelha
“Ao ler e reler esta pequena-mas-grande obra de ficção de João Anzanello Carrascoza, o que me vem à cabeça é sempre o Angelus novus de Paul Klee. Foi Walter Benjamin quem viu no anjo novo de Klee, em seu ensaio ‘Sobre o conceito da História’, aqui comigo em uma tradução de Sérgio Paulo Rouanet, que nele está desenhado um anjo que parece estar na iminência de se afastar de algo que ele encara fixamente. Seus olhos estão escancarados, seu queixo caído e suas asas abertas. O anjo da história deve ter esse aspecto. Seu semblante está voltado para o passado. Onde nós vemos uma cadeia de acontecimentos, ele vê uma catástrofe única, que acumula incansavelmente ruína sobre ruína e as arremessa a seus pés. Não sei dizer se João Anzanello Carrascoza lembrou-se do Angelus novus ao conceber Angelim, nem se Angela Mendes pensou nisso ao desenhar o anjo que vai na capa, e que o fez bem antes, nos anos 1990, talvez por causa de Wim Wenders, mas aqui estamos todos juntos; assombrados com o menino de Cravinhos que está dentro de nós.”
Paulo Verano
Nasceu em Cravinhos (SP), em 1962. Formado em Publicidade pela ECA-USP, onde, mais tarde, fez Mestrado e Doutorado e passou a lecionar, atuou durante duas décadas como redator publicitário em grandes agências de propaganda do país.
Em 1994, publicou seu primeiro livro, Hotel solidão, surgido a partir de uma oficina literária coordenada por João Silvério Trevisan. De lá para cá, consolidou uma obra extensa e premiada, que transita entre o conto, o romance e a novela, com uma prosa poética que flerta com o lirismo, as relações humanas e a investigação das subjetividades.
Atualmente, dedica-se à docência na USP e na ESPM, e continua a escrever a sua obra literária. Angelim é o seu primeiro livro pela Barbatana.
Nasceu e reside em São Paulo (SP). Designer gráfica formada em Artes Plásticas pela Escola de Comunicações e Artes da USP. Atua como professora de Produção Gráfica em ETECs de São Paulo. Fundou com Paulo Verano a Barbatana em 2016.
Ilustrou os livros Angelim, de João Anzanello Carrascoza, e Ordem, de Leusa Araujo.
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Voltado a leitores a partir de 15 anos e adultos, com temas que convidam à reflexão e ao amadurecimento literário, mantendo a sensibilidade que atravessa gerações. Uma obra para ser lida, guardada e revisitada em qualquer fase da vida.